Um presente de natal

Um dia de pensar em tudo. O contador de histórias preserva muito de seu ambiente, como tradições e costumes. Um hábito citado pela cantadora Clarissa Pinkola Estés, em seu livro O dom da história, no Brasil publicado pela Rocco, é de iniciar a roda de histórias com uma pergunta a suscitar as histórias que virão.
A pergunta que segue é O que constitui "o suficiente"?
imagem do google

"[...]Essa antiga história me foi transmitida em muitas versões diferentes, muitas noites junto à lareira. Os narradores eram várias pessoas boas e rústicas da Europa Oriental, a maioria das quais ainda vive pela tradição oral. A história é sobre o grande sábio, o Bal Shem Tov.

O amado Bal Shem Tov estava à morte e mandou chamar seus discípulos.
- Sempre fui o intermediário de vocês e agora, quando eu me for, vocês terão de fazer isso, sozinhos. Vocês conhecem o lugar na floresta onde eu invoco a Deus? Fiquem parados naquele lugar e ajam do mesmo modo. Vocês sabem acender a fogueira e sabem dizer a oração. Façam tudo isso, e Deus virá.
Depois que o Bal Shem Tov morreu, a primeira geração obedeceu exatamente às suas instruções, e Deus sempre veio. Na segunda geração, porém, as pessoas já se haviam esquecido de como se acendia a fogueira do jeito que o Bal Shem Tov lhes ensinara. Mesmo assim, elas ficavam paradas no local especial na floresta, diziam a oração, e Deus vinha.
Na terceira geração, as pessoas já não se lembravam de como acender a fogueira, nem do local na floresta. Mas diziam a oração assim mesmo, e Deus ainda vinha.
Na quarta geração, ninguém se lembrava de como se acendia a fogueira, ninguém sabia mais em que local exatamente da floresta deveriam ficar e, finalmente, não conseguiam se recordar nem da própria oração. Mas uma pessoa ainda se lembrava da história sobre tudo aquilo e a relatou em voz alta. E Deus ainda veio.
[...]"
Estés, Clarissa Pinkola. O DOM DA HISTÓRIA - Uma fábula sobre o que é suficiente. Rocco,1993

Comentários

Postagens mais visitadas